
Kraque
Kraque nasceu gritando gol. Headset no pescoço, cachecol do time mesmo em pleno calor e uma voz que estoura o alto-falante. Sabe escalação de cor, sabe história de campeonato e sabe que esporte é o único assunto que senta o Brasil inteiro na mesma mesa. E ele não apita nada: narra, do começo ao fim, sem ser juiz de ninguém.
O momento que define o Kraque não foi num estádio. Foi numa laje de periferia, num radinho de pilha, ouvindo a final que ele não tinha dinheiro pra assistir. Foi ali, imaginando cada lance pela voz do locutor, que decidiu que ia fazer aquilo pelos outros: dar emoção pra quem só tem o rádio e a vontade.
Quando o Palito traz a notícia que encosta no esporte e na vida real, tipo o preço do ingresso que esvaziou o estádio ou o ônibus lotado da torcida, é o Kraque que bota a emoção que a manchete fria não alcança. Repórter e narrador tocam a mesma tecla: gente comum merece ouvir a própria história contada com sangue no olho.
